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Aprenda o passo a passo no dia dia de uma grande empresa

Você já deve ter visto vários posts por aí sobre o que é um Designer Instrucional, suas responsabilidades, atribuições e habilidades. Hoje quero te mostrar algo um pouco diferente. Quero te contar, com a minha experiência, como é o dia a dia de um Designer Instrucional em uma grande empresa, baseado no modelo ADDIE. 

Antes de mais nada, é bom lembrar que algumas atividades podem mudar de empresa para empresa. As tarefas dependem do ramo de atuação, da cultura e da metodologia de trabalho. Além disso, é preciso considerar as adaptações nos modelos de trabalho e treinamento em cada uma, devido à pandemia. Portanto, algumas organizações exigem mais habilidades do DI que outras.

Em uma grande empresa, o DI precisa ter foco. E muito. As demandas de atividades vêm de várias frentes, como: novos projetos, melhorias para alguns setores, aquisição de novos softwares etc. O DI normalmente está inserido em diversos projetos ao mesmo tempo, analisando, planejando e executando cursos, treinamentos, materiais didáticos e informativos, como vídeos, ebooks, apresentações, infográficos etc. Por isso, trabalhar é impossível sem uma Gestão de Projetos, seja na administração da própria empresa ou no seu gerenciamento como DI. Essas demandas surgem conforme a necessidade das frentes de trabalho, que exige entregas e metodologias ágeis.

Para quem você trabalha?

O DI não trabalha para um setor exclusivo. Ele é de todos! Novos projetos e necessidades de treinamentos podem vir de todas as áreas da empresa. No surgimento dessas demandas o DI é recrutado para participar das reuniões de projetos. O objetivo é entender as necessidades e analisar o cenário de uma perspectiva educacional. Essa habilidade é fundamental no dia a dia do DI, pois nem tudo se resolve com treinamento. Por isso, quando você se deparar com solicitações, sua análise deve ser com a pergunta: “O treinamento é a solução para o problema levantado?”.

O dia a dia do DI é de tomadas de decisão. A partir do momento em que um problema é levantado, com base nas premissas da educação corporativa, uma análise deve ser feita. Assim, você conseguirá entender como um treinamento pode auxiliar no desafio em questão. E se realmente é de treinamento que esse problema precisa. 

Como atender às solicitações?

Quando as empresas possuem o profissional de DI, é normal ele ser bombardeado de solicitações. Essa análise é fundamental para o treinamento não se tornar o escudo de todos os problemas, gerando sobrecarga. Em síntese, você pode produzir materiais de baixa qualidade ou treinamentos ineficazes devido à alta demanda de trabalho. Sendo assim, faça sempre a análise de uma nova solicitação. E lembre-se de usar seu filtro educacional para dizer “não” quando o problema a ser resolvido for muito além de um treinamento. 

Outra fonte que exige as habilidades do DI são os novos projetos implantados. Quando ele nasce em uma grande empresa, dentro da equipe de Gestão de Projetos já é considerado um profissional de DI. Isso acontece por causa da necessidade de capacitar o público para onde o projeto é destinado. Portanto, pode ser uma nova metodologia, uma mudança ou o novo fluxo de trabalho, uma nova ferramenta, software etc.

Aqui, o DI também deve usar seu instinto. Pergunte-se: “Precisa de um treinamento?”, “Será uma trilha de aprendizado completa?”, “Um ebook resolve este trabalho?”, “Com um infográfico já resolvo este problema?”. Esses questionamentos devem ser feitos antes de iniciar qualquer trabalho. E logo abaixo vou te ensinar a seguir a partir deles utilizando o modelo ADDIE. Mas quero deixar claro que a base das perguntas não é o que é melhor para o DI e sim o que é melhor para o público-alvo.

“Mão na massa” com o modelo ADDIE

Quando o DI se depara com um novo trabalho no seu dia a dia, tanto em um levantamento de uma necessidade ou em um novo projeto, uma ferramenta é perfeita para iniciar o trabalho. O meu dia a dia é baseado nela, conhecida como modelo ADDIE. Esse é o recurso que o DI usa para estruturar seu plano de treinamento, que vai da análise inicial até a entrega e avaliação. O modelo ADDIE está muito presente no meu dia a dia e você vai usar ele para deixar essa rotina de trabalho bem clara assim que iniciar um novo projeto.

1) Análise

Como você viu anteriormente, a fase de análise do DI inicia no primeiro contato com as demandas. Se o problema se resolve com treinamento ou não, lembra? Por isso, nesta etapa costumo preencher uma planilha com todos os problemas levantados e o que os materiais de treinamento podem resolver. A análise normalmente é feita junto da equipe responsável pelo projeto levantado. Caso ela indique que esse problema necessita de um treinamento, continuo com um processo para mensurar o prazo de entrega e analisar o público alvo. Esses dois passos podem ser feitos por meio de reuniões com pessoas-chave da equipe, que receberão o treinamento e as pesquisas de personas.

Da análise para o planejamento

Aqui aparecem as grandes habilidades no dia a dia do DI. Planejar todo o treinamento com base na análise é fundamental. Costumo pôr no planejamento o conteúdo a ser abordado comparado com o público-alvo. Viu a importância da fase de análise? Se ela for bem-feita, no planejamento você só vai encaixando as peças da obra. Nessa etapa de planejar, o dia a dia é baseado na montagem de um plano instrucional adequado para o aluno. É a hora de definir se será uma trilha ou um curso e quantos módulos terá. Ou então se será uma apresentação, um EAD, um ebook ou conteúdo afim

O material a ser usado deve ser planejado com base nas premissas educacionais, sempre pensando em como o público-alvo irá absorver esse conteúdo. Portanto, também costumo fazer o levantamento do que vou precisar, como custo, se o desenvolvimento será feito internamente ou por terceiros, quais pessoas farão parte das próximas etapas etc. Aqui a rotina se resume em sentar e planilhar todas as informações.

2) Desenvolvimento

A fase do modelo ADDIE que mais gosto! Tirar tudo do papel e criar. Aqui o DI cria o roteiro do treinamento conforme seu plano. Seja para um curso, uma apresentação, um vídeo etc., o roteiro é fundamental. É por meio dele que você vai gerar todo o conteúdo para o público-alvo, desenvolvendo um material fácil de digerir, que seja simples para o aprendizado. Quando falo de roteiro, é o momento de sentar na frente do computador e “compor sua poesia”. Imaginar como a pessoa que está fazendo esse curso vai se sentir. Antes de mais nada, os textos devem ser prazerosos, buscando engajamento. Você não quer que sua poesia seja lida pela metade porque se tornou chata, certo? 

Com o roteiro finalizado e aprovado, é hora de dar o toque especial. Nessa fase, o seu dia a dia será baseado em ferramentas interativas para transformar o roteiro em material de consumo para o público-alvo (um vídeo, uma apresentação, um PDF, etc.). Agora, se essa produção é terceirizada ou feita por algum outro setor, sua rotina será de acompanhamento e reuniões com as equipes responsáveis por esse trabalho.

3) Implementação

Ufa, o DI precisa de mais de 24 horas por dia (risos). Seria bom, mas se tudo estiver bem planejado você consegue cumprir os prazos. Ao entregar os materiais para treinamento, entramos em uma rotina de contato com as pessoas que serão treinadas. Assim, dependendo do tamanho do projeto o ideal é que seja feito um piloto com algumas pessoas, para fazer uma avaliação prévia da eficácia do treinamento. O acompanhamento aqui é fundamental. Caso seja um curso EAD, devemos acompanhar a evolução das pessoas e o engajamento. Como resultado, nesta etapa do modelo ADDIE já podemos observar se o material está fluindo bem para solucionar o problema levantado.

4) Avaliação

O trabalho do DI não termina quando o material é entregue. Sendo assim, é fundamental realizarmos uma avaliação após o treinamento, seja a de reação (para poder avaliar se o material engajou seu público) ou de eficácia (para verificar se o conteúdo abordado solucionou os problemas levantados). Aqui, o dia a dia do DI é de pesquisas e levantamentos. Portanto, o Ideal é registrar todo esse resultado em gráficos e números, passando para as áreas envolvidas avaliarem o trabalho feito.

Conclusão

O seu dia a dia como DI em uma grande empresa será tudo menos tedioso, já que estará sempre envolvido em vários projetos simultâneos, fazendo entregas parciais dentro de metodologias ágeis e do modelo ADDIE. Reuniões são constantes, como vimos. Nas grandes empresas os projetos nascem de forma rápida, envolvendo muitos setores e pessoas. Por isso, a comunicação é fundamental. Como falei no início, algumas empresas podem ter metodologias diferentes, em que dividem setores para produção de conteúdo em designers, roteiristas, responsáveis pelo acompanhamento e avaliação dos treinamentos. Porém, como DI devemos estar preparados para qualquer demanda da nossa área, seja em uma pequena, média ou grande empresa. 

Sobre o autor

Edemilson Correia da Silva

Edemilson Correia é Designer Instrucional na Portobello, marca líder no varejo de revestimentos no Brasil.

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  • Monica disse:
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    Excelente explanação. Uma dúvida, onde entra a concepção e desenvolvimento do conteúdo bruto do curso? A ementa do curso com o conteúdo programático é feita pelo Design Instrucional ou deve vir pronta do cliente?
  • Michele disse:
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    Parabéns pelo conteúdo Edemilson e Mobiliza.