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O tema da nossa conversa de hoje, o perfil dos colaboradores, tem a ver com uma das perguntas que mais me fazem – e suas variações. Como engajar os alunos no treinamento? Como despertar a atenção do aluno? Como, de fato, entregar um curso em que o aluno seja o foco e não apenas o conteúdo?

Chega aqui pertinho que eu vou te contar uma coisa que pode resolver 70% dos seus problemas para essas e outras questões. Dica: a resposta está na pergunta!

Se eu te perguntar agora: quanto tempo dos seus últimos projetos de e-learning você dedicou para conhecer o público-alvo… Qual será a sua resposta?

Sou capaz de apostar um bombom que você vai dizer que foi quase nada (risos), nem mesmo em uma análise comportamental.

E vou além: vou adivinhar que, quando muito, as informações que você recebeu foram: idade, sexo e formação acadêmica. Acertei?

A verdade é que essa é só uma forma de mapear a população que será impactada pelo treinamento. Vamos explorar mais isso. Vem comigo!

3 formas de mapear o perfil dos colaboradores  

Perfil demográfico

O perfil demográfico traz as informações básicas sobre o colaborador: idade, gênero com o qual se identifica, lugar em que vive, estado civil, escolaridade etc.

Mas, atenção! Se você vai treinar um grupo pequeno, pode ser – e eu disse: pode ser – que essas informações sejam suficientemente homogêneas para te dar um perfil de público específico. Porém, como meu foco aqui é falar de treinamento online, possivelmente você está treinando em escala. Logo, cuidado para não cair em uma armadilha.

Recentemente circulou uma imagem pela internet que deixa muito clara essa cilada (oi, Bino!):

Veja que o Príncipe Charles e o Ozzy Osbourne têm um perfil demográfico muitíssimo parecido, mas você tem alguma dúvida de que eles têm personalidades completamente distintas? Não creio que a mesma estratégia de e-learning seja aderente a ambos.

De qualquer forma, conhecer o perfil demográfico é melhor que nada. Só tome cuidado com os estereótipos (e talvez eu até esteja incorrendo nisso no exemplo acima).

Isso me lembrou uma ocasião, há muitos anos, em que recebi um potencial fornecedor. Ele me mostrou como case um curso em que o público era masculino em sua maioria e, por isso, o tutor era um Capitão Nascimento estilizado (#kkkkrying)

 

Perfil digigráfico

Outra forma de conhecer melhor o público (e que tem muito a ver com o nosso trabalho) é conhecer a maneira com que as pessoas lidam com tecnologia. Esse é o perfil digigráfico.

São, resumidamente, 5 tipos de perfis:

  • Imersos: têm uma relação de simbiose com a tecnologia, sua vida está na rede (alô, multiverso);
  • Ferramentados: usam a tecnologia para dar conta das tarefas do dia a dia, apenas;
  • Fascinados: são aqueles que usam a tecnologia para parecerem mais modernos. Eles têm sempre o último modelo de um gadget, mesmo que não o usem em todo o seu potencial. Sabe aquele primo que tem a Alexa só para pedir para contar piada?
  • Emparelhados: para eles a tecnologia é como se fosse uma extensão do corpo. Usam o smartwatch para monitorar a saúde, por exemplo.
  • Evoluídos: esses nasceram no mundo digital, são as crianças e adolescentes que estão hiperconectados. Estão em conferência com os amigos no Discord, enquanto jogam Roblox e assistem a um vídeo no youtube… tudo com muita naturalidade.

Você pode conhecer mais sobre esse estudo neste vídeo.

Se você aliar as informações dos dois tipos de perfil dos colaboradores que vimos até aqui, terá muita informação interessante para proporcionar uma experiência de aprendizagem que o aluno se identifique, concorda?

Estilo de aprendizagem

E, por fim, mas não menos importante, você pode buscar entender quais são os estilos de aprendizagem presentes naquele grupo e fornecer uma variedade de abordagens que contemplem essas variações.

Temos o estudo sobre estilos de aprendizagem de Kolb (e eu precisarei de mais tempo aqui para falar sobre ele) e o clássico VAK – visual, auditivo e cinestésico.

É bem intuitivo, sim? Vou te dar algumas dicas de como valorizar cada estilo no treinamento online, para atender ao perfil dos colaboradores:

  • Visual: apresente gráficos, ilustrações e mapas mentais. Se for um podcast, capriche na entonação para enfatizar o que é mais relevante. É como se você estivesse colocando negrito no texto 😉.
  • Auditivo: se for um e-learning tradicional, faça perguntas reflexivas para que o aluno pense sobre o assunto e escute a sua própria voz na mente.
  • Cinestésico: incentive o aluno a fazer o resumo do conteúdo, promova discussões e atividades colaborativas.

Vale ressaltar que não há predominância de um único estilo, geralmente apresentamos uma combinação deles. Eu, por exemplo, sou 65% cinestésica, 30% visual e 5% auditiva… se me der um conteúdo em podcast, vai ser bem difícil que haja alguma retenção ali ☹.

Por isso, é importante mesclar formatos e estratégias.

Conclusão 

Meu poder telepata me diz que você está pensando: ”Ah, Soani, mas eu não tenho tempo para fazer toda essa investigação para entender o perfil dos colaboradores. O que eu faço?”. 

Eu poderia responder: “Não reclame!”, mas isso seria bem grosseiro e eu não quero que você me interprete mal. O fato é que ter resultado demanda esforço… Se fosse fácil, qualquer um faria e eu parto do princípio de que você não é qualquer designer instrucional e que você se interessa por fazer o melhor, uma entrega de excelência.

Então, minha resposta, de verdade, será: “Busque por oportunidades de investigar esse público”.

Como este texto já está ficando muito longo, podemos conversar sobre isso em uma próxima oportunidade, o que acha?

Deixe o seu comentário para eu saber que você quer continuar nesse assunto.

Sobre o autor

Soani Vargas

Minha missão é compartilhar conhecimento sem enrolação, de fácil aplicação e relevante para incentivar designers instrucionais a atuarem de forma estratégica e consultiva em projetos de solução de treinamento online com foco no resultado dessa ação para o aluno e para a organização, por meio de um design instrucional descomplicado e bem aplicado.

O que achou? Comente aqui :)

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