A atualização da NR-1 representa uma mudança relevante na forma como as empresas devem enxergar a segurança e a saúde no trabalho.
A norma amplia o foco para uma gestão mais integrada dos riscos, considerando também fatores organizacionais e emocionais que impactam diretamente os colaboradores.
Para entender a importância dessa mudança, é fundamental compreender o que é a NR-1 e qual o seu papel dentro das normas regulamentadoras.
Dados do INSS mostram que, somente em 2023, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram de forma significativa, reforçando a necessidade de ações preventivas no ambiente de trabalho. Esse cenário contribuiu diretamente para a atualização da NR-1.
Diante disso, a norma passa a exigir uma postura mais estratégica das organizações. Não se trata apenas de cumprir exigências legais, mas de estruturar processos que promovam ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Ao longo deste artigo, você vai entender o que mudou, como o PGR se fortalece e quais ações ajudam as empresas a se adequar à nova realidade.
O que é o PGR?

O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é o principal instrumento previsto na NR-1 para organizar a prevenção de riscos ocupacionais. Ele reúne informações que permitem identificar perigos, avaliar riscos e definir as medidas de controle de forma sistemática.
Na prática, o PGR é composto por dois elementos centrais:
- Inventário de riscos;
- Plano de ação.
O inventário identifica os perigos presentes no ambiente de trabalho e avalia a probabilidade e a gravidade dos riscos. Já o plano de ação define quais medidas devem ser adotadas, quem será responsável e quais prazos precisam ser cumpridos.
Com a atualização da NR-1, o PGR passa a funcionar como uma ferramenta de gestão que conecta saúde, segurança, organização do trabalho e tomada de decisão.
Assim, quanto mais bem estruturado, maior a capacidade da empresa de prevenir adoecimentos e reduzir afastamentos.
Mas, lembrando, o PGR deve ser um documento dinâmico. Por isso, sempre que houver mudanças nos processos ou nas atividades, ele precisa ser revisado para refletir a nova realidade da empresa.
Fatores psicossociais: o que mudou?
A maior ênfase da NR-1 atualizada está na inclusão explícita dos fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos.
Esses fatores envolvem aspectos que afetam a saúde mental dos trabalhadores, como:
- Excesso de cobrança;
- Pressão por resultados;
- Jornadas prolongadas;
- Conflitos interpessoais
- Assédio moral;
- Falta de autonomia.
É importante destacar que esses riscos não surgem agora na legislação. A NR-17, que trata de ergonomia, já abordava elementos ligados à organização do trabalho e aos impactos psicológicos das atividades.
No entanto, esses fatores apareciam de forma menos direta e muitas vezes eram negligenciados pelas empresas.
Esse resumo da NR-1 mostra que a norma evoluiu para acompanhar as novas dinâmicas do trabalho, exigindo uma atuação mais estratégica das empresas.

Com a atualização da NR-1, os fatores psicossociais passam a ter o mesmo peso dos riscos físicos, químicos e biológicos.
Isso significa que a empresa precisa identificá-los, avaliá-los e definir medidas de controle no PGR, de forma estruturada e documentada.
Essa mudança reforça que a saúde do trabalhador não se limita à ausência de acidentes. O equilíbrio emocional e qualidade das relações influenciam diretamente o bem-estar e a produtividade das equipes.
Leia também: Inteligência emocional para colaboradores: como desenvolver

Outras mudanças sobre saúde mental
Além da inclusão dos fatores psicossociais, a NR-1 atualizada reforça a importância do monitoramento contínuo desses riscos. Ou seja, não basta mapear o cenário uma única vez; é necessário acompanhar os indicadores e ajustar as ações ou revisar os processos sempre que necessário.
A norma também incentiva a adoção de políticas internas mais claras relacionadas à saúde mental. Assim como, a NR-1 não impõe uma metodologia única para avaliação dos riscos psicossociais.
Entretanto, ela exige coerência entre diagnóstico, plano de ação e acompanhamento, o que amplia a responsabilidade das empresas na escolha e aplicação dessas ferramentas.
Com isso, a saúde mental deixa de ser tratada apenas de forma reativa, quando o problema já está instalado e passa a integrar a rotina de gestão.
O que as empresas podem fazer para se adequar?
O primeiro passo para se adequar à NR-1 é compreender a realidade interna da organização. É importante realizar levantamentos de clima organizacional, entrevistas, grupos de escuta e análise de indicadores como absenteísmo, rotatividade e afastamentos ajudam a identificar riscos psicossociais relevantes.
Em seguida, é essencial atualizar o PGR, incorporando esses riscos ao inventário e ao plano de ação. As medidas preventivas podem incluir ajustes na carga de trabalho, revisão de processos, melhoria da comunicação interna e fortalecimento da liderança.
Além disso, a capacitação de gestores desempenha um papel central. Pois, quando os líderes estão bem preparados, eles conseguem identificar sinais de sobrecarga emocional e estresse excessivo, atuando de forma preventiva antes que o problema se agrave.
Banner: Como estruturar EaD na empresa
Também é importante a criação de canais de escuta seguros e confidenciais, que permitam aos colaboradores relatar situações de risco sem medo de represálias. É uma iniciativa que fortalece a confiança e contribui para ambientes mais saudáveis.
Quais foram as outras mudanças trazidas pela NR-1?
A NR-1 atualizada também reforça a integração entre o PGR e outros programas de saúde e segurança, como o PCMSO (NR-7) e as ações previstas na NR-17. Com esse alinhamento, é possível ter uma gestão mais consistente dos riscos ocupacionais.
Outro avanço está na maior responsabilidade atribuída às empresas quanto à organização do trabalho. A norma exige mais clareza nos processos e evidências de que as medidas preventivas estão realmente sendo aplicadas.
A fiscalização também tende a ser mais criteriosa, sendo necessário demonstrar que o gerenciamento de riscos acontece na prática e gera resultados concretos no dia a dia da organização.
Essas mudanças reforçam que a prevenção precisa ser contínua e integrada à gestão do negócio, e não apenas uma exigência burocrática.
A atualização da NR-1 marca uma evolução importante na legislação de segurança e saúde no trabalho no Brasil.
Com o destaque atribuído aos fatores psicossociais, a norma reconhece oficialmente que a saúde mental é parte essencial do ambiente de trabalho.
Assim, entender as mudanças, fortalecer o PGR e adotar práticas preventivas garante conformidade legal, e contribui para uma cultura organizacional mais equilibrada e sustentável no longo prazo.
Conte com a Mobiliza
Para que a empresa consiga se adequar às Normas Regulamentadoras, especialmente à NR-1, não basta apenas atualizar documentos e processos.
É fundamental investir na capacitação contínua das equipes, garantindo que gestores e colaboradores compreendam os riscos, as responsabilidades e as boas práticas relacionadas à saúde e segurança no trabalho.
Nesse contexto, a educação corporativa permite que o conhecimento chegue de forma padronizada e acessível, fortalecendo a cultura de prevenção e facilitando a aplicação prática das exigências legais no dia a dia da organização.
A nossa plataforma LMS torna esse processo ainda mais eficiente.
Por meio dela, a empresa consegue organizar trilhas de aprendizagem, acompanhar a evolução dos colaboradores, registrar treinamentos obrigatórios e manter evidências de capacitação, o que contribui tanto para a conformidade com a NR-1 quanto para o desenvolvimento sustentável das equipes.

